Conselhos e opiniões radicais.

Comecei o raciocínio no Twitter e resolvi escrever aqui pra desenvolver melhor.

Tem tanta piração com relação a qualquer procedimento que envolva bebês que não é de se espantar o estresse que todas as mães de primeira viagem sentem. Eu acredito que, tão importante quanto o bem-estar do bebê, é o bem-estar da mãe também. Tem que achar um meio-termo para os dois.

Estava lendo este artigo sobre a importância de o bebê mamar assim que nascer. Alguém nega que seja importante? Não. Alguém vai morrer caso não consiga fazer isso? Não. Mas existe toda uma mentalidade xiita em alguns fóruns e você não pode fazer nada fora do que é considerado “maternalmente correto”, senão você é bombardeada.

Por exemplo, todos bebês têm necessidade de sucção. O “maternalmente correto” seria deixar o bebê ficar pendurado no peito o quanto ele quiser, pois isso é só uma fase e depois você “até sentirá falta”. Outras mães simplesmente dão o peito para alimentar e uma chupeta quando o bebê quiser só sugar. A mãe tem o direito de não querer um bebê ali no peito toda hora. Não falo mais nada sobre o que considero certo ou errado enquanto não passar pela experiência, mas é claro que toda mãe tem o direito de decidir o que é melhor para o seu filho e para ela. A melhor decisão é aquela que não prejudica nenhum dos dois. Mas daí aparece uma mamãe com depressão pós-parto porque o bebê não desgruda do peito dela e ela não sabe o que fazer, pois sente que, se tirá-lo dali, estará sendo uma mãe pior. Isso não é culpa da coitada que está ali fragilizada pelo momento. É culpa de toda a lavagem cerebral que ela sofreu lendo opiniões desse tipo durante a gravidez, que não levam em conta a individualidade de cada mãe.

Acho que o exemplo mais polêmico é o de quando uma mãe resolve fazer cesárea em vez de parto normal. Gente, falar isso em qualquer fórum de grávidas é o mesmo que dizer que pagode é melhor do que rock em fórum de guitarrista. A pessoa é metralhada. Não estou aqui querendo pregar a discussão entre PC x PN, mas apenas dizer que todos têm o direito à escolha, afinal.

Polêmico também é falar sobre amamentação. As pessoas simplesmente não aceitam que uma mãe queira dar leite artificial para o filho. Mais uma vez, não estou defendendo isso, mas comentando o estresse da chuva de blablabla sobre quem opta dessa forma.

Outro exemplo que gostaria de citar é referente à Beneficência Portuguesa. Realmente já tinha lido uns 3 ou 4 relatos de mamães que “não recomendam a maternidade” porque não é alojamento conjunto, o pai não pode assistir o parto e os bebês recebem NAM, em vez do peito da mãe. Fui lá na semana passada e posso dizer o seguinte: pai pode sim assistir o parto e a questão do leite é definida pela mãe junto com os pediatras do hospital. Certamente, se você fizer pé firme e disser que não quer que dêem leite artificial para o bebê, eles não podem dar. Meio óbvio, né? Quer dizer, é claro que, na fragilidade da situação, alguém te induzir a aceitar que seu bebê precisa de leite quando você não tem é comum. Mas tudo se resolve com informação, tranquilidade e troca de ideias com os médicos e as enfermeiras. Acredito eu. Daí não adianta a pessoa passar a gravidez inteira alheia ao mundo e depois querer culpar a maternidade por fazer o procedimento mais fácil, ocultando a própria falta de desinformação ao culpar a instituição.

Com relação ao bebê ficar no berçário em vez de ficar no quarto com a mãe, oras. Eu sinceramente não vejo isso como um problema. Primeiro, porque são só 2 ou 3 dias, não 3 meses. Segundo, que vou aproveitar esses dias para me recuperar do parto com a ajuda de profissionais ali na hora de cuidar do bebê. Terceiro, que qualquer mãe tem livre-acesso ao berçário sempre que quiser – e assim que puder andar. E ainda um quarto motivo – a internação é em enfermaria. São 6 leitos. Imagine 6 mães nervosas e 6 bebês chorando ao mesmo tempo. Desculpa aí, mas não acho que isso seja o melhor para nenhum dos dois em hipótese alguma.

Então, sabe… às vezes acho que as pessoas dramatizam demais as situações e dão importância a pequenas coisas, como se fosse decisivo na vida do bebê e na sua fazer assim e não assado. O que se passa pela cabeça de algumas pessoas em realmente acreditar que o mundo é feito de situações ideais? Isso não é realidade. A mulher tem que ter uma autoconfiança absurda pra lidar com isso, porque as pessoas são chatas e invasivas por natureza. Hoje é raro encontrar alguém que defenda o seu direito de pensar diferente, mesmo sendo absurdo.

Há alguns meses, almocei na casa da minha sogra e todo mundo me bombardeou de informações sobre dar banho naquelas banheiras com suporte ou não, dizendo que é perigoso, que o suporte faz isso e aquilo. No meio da discussão, minha cunhada disse: “Ela que tem que saber o que ela quer. Ela é a mãe.” Isso me marcou tanto porque é tão raro e especial alguém defender assim o direito à escolha de uma pessoa que não a própria.

Conselhos virão de todos os lados? Isso é fato. Como eu fiz na gravidez, o negócio é abstrair. Ouvir, agradecer de forma simpática e guardar. Se eu ficar intrigada, vou pesquisar a respeito e pode até ser que eu mude o meu modo de agir ou pensar, se descobrir que é um ponto de vista mais válido que o que eu tinha. Afinal, sou inexperiente. Mas é preciso ter autoconfiança como mulher e como mãe, batendo o pé em algumas questões, porque afinal estamos falando do nosso filho. A única pessoa que tem tanto direito quanto eu sobre ele é o meu marido. Isso já reduz as discussões em 99,9%.

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11 Responses to Conselhos e opiniões radicais.

  1. Débora says:

    Ahhhhh, como é bom ler um post desses!! ehhehehehConcordo com tudo, tudo mesmo!Já deixei de lado comunidades no Orkut por causa dos radicalismos, já deixei de frequentar blogs, e até o alguns lugares no fórum.Tem muita gente xiita, é um horror!!!!!Como vc disse, tem coisas que são ótimas, que todo mundo sabe que fazem bem pra nós, para o bebê. Mas e se não dá pra fazer??????Gente! A maternidade vai muito, muito além do tipo de parto ou se vamos amamentar ou não… Isso não é nada, não é nem 1% do que é ser mãe, são verdadeiros detalhes. Odeio o "mais mãe", "menos mãe".E assim como vc, só quem tem direito sobre tudo é vc e o seu marido, ninguém mais.Beijo!!

  2. Patrícia says:

    Oi ThaisQuem vai saber o que é melhor ou não é vc e na hora que tiver que decidir. Ser mãe não é simplesmente parir de PN e dar o peito p/ o bebê… Conheço várias mães maravilhosas (inclusive a minha) que não fizeram isso. As pessoas são únicas e cada caso é um caso.A questão do alojamento conjunto só acho válida se vc ficar em apto com acompanhante… Sozinha, com dores e pontos é tortura. Fui visitar uma amiga que ficou com o bb em enfermaria e estava pirando. Cheia de pontos, com dor e tendo que levantar e cuidar do bebê sem ajuda de ninguém. Sofrimento desnecessário.Quanto ao fórum, cheguei ao seu blog por lá… Porém, tb tenho evitado. Fico imaginando meninas fragilizadas e sem opinião formada lendo certas coisas… Tadinhas, devem pirar. É um radicalismo absolutamente desnecessário.Bjs p/ vc e p/ o Paul.Patrícia Reina

  3. Adorei o posto..falou tudo o que eu penso..outra questão polêmica e que sempre tem um xiita pra meter o bedelho é a questão da vacina..aff..isto deu no que tinha que dar, quer tomar, toma não quer, simples, não tome!Acho que muitas coisas seriam resolvidas se cada um apenas trocasse informação e não fizesse da própria opinião uma arma de guerra!O melhor é filtrar, deixar o povo falar e ignorar..não levo em consideração estes conselhos de gente que sabe tudo o que é melhor pra gente, acho que sou adulta o suficiente pra entender a responsabilidade que ser mãe demanda..e se quiser falar, fala com a minha mão! hehehebjs!

  4. É isso aí, Thaís! Como sempre adoro seus posts!Concordo em gênero e grau! cada uma tem direito a escolher o que acha melhor, seja o parto, a maternidade, se vai ou não amamentar no peito, se quer tomer ou não a vacina e por aí vai. Maternidade vai além dessas coisas, senão uma mãe adotiva não seria mãe né? Afinal ela não pariu, não amamentou, não escolheu a maternidade etc. Esse tipo de pessoa sempre se acha dona da razão. Eu até parei de conversar com umas meninas do forum e no MSN pois queriam me convencer a fazer o parto humanizado etc etc. Tenho minha opinião, será que alguém pode me respeitar?!?!? rsSiga seu coração e sua opinião!!Bjos

  5. Clarinha says:

    Ótimo post, Thais. Decidi fazer parto normal pelo fato de a recuperação ser mais rápida, já que não tenho praticamente ninguém pra me ajudar com o bebê depois. Mas não aguento esses radicalismos de quem defende parto humanizado. Dá uma preguiiiiça! Eu não acho que a pessoa deva morrer de dor, rejeitar anestesia e episio a qualquer custo e demonizar a cesária. Quando começam com isso, eu ligo meu mute cerebral e não ouço mais nada.

  6. Fabiana says:

    Eu fiz cesárea por opção. Queria muito amamentar mas meu bebê tinha mais sono do que fome e precise entrar com LA.oje alterno mamadeira e peito.Sofri com isso sim. Mas ver ela ganhar peso e se desenvolver é maior que todas as lendas da maternidade.A prática e o dia a dia faz a gente ser única. E nosso filho tb.Bjos.

  7. Mari O. says:

    O jeito é ligar o "foda-se" (desculpe a expressão) e viver sua maternidade como vc acha melhor.As vezes aparece cada topico la no forum que me espanto. Muita frescura, muito "não pode", muito "o pediatra nao deixou". Ahhh, isso me irrita!!!-Fiz PC por opção. E com certeza nao teve essa de melhor pra mae ou pro filho. Meu bebe certamente nao vai lembrar como nasceu e eu me recuperei super bem. Eu nasci de PN sem indução, sem anestesia e se minha mae nao contasse eu nem iria saber…Sempre dei complemento pq apesar de ajuda de Banco de Leite e de MUITA informaçao que tinha meu leite nunca foi suficiente. E no proximo filho nao quero e nao vou amamentar exclusivo pq ja percebi que aqui e pra mim isso nao funciona. Vou amamentar sim, mas ele tb vai comer frutinhas aos 3 meses e papinhas aos 4 assim como o Bernardo e vou complementar se achar necessário.Só eu sei o que passei, o quanto me cobrei, so eu seu que tive um inicio de depressão pos parto por causa dessa pressão de amamentação e não quero viver isso de novo e nem acho necessário, meu filho é a prova disso. Uso lenços umedecidos, colonia, sabonete em barra, tudo desde que ele nasceu. Dou chupeta desde que sai do hospital. E fico p. da vida qdo vejo alguem falando que isso interfere na amamentação..affe!! Claro que um bebe sabe de onde ta saindo leite e de onde nao tá, se ele tiver fome vai querer mamar e nao chupar chupeta. Saimos pra todos os lugares (shopping, restaurante, supermercado) quando ele nao tinha nem 1 mes.Com 1 mes ele ja brincava no edredon no chao, no tapete de EVA.Comecei a dar Mucilon, Neston e outros engrossantes pq ele com 3meses mesmo mantes de comer outras coisas nao quis mais LA puro, nao mamava, nao dormia direito… Fiz tudo que as pessoas radicais acham absurdo, acham maldade ou algo do tipo. E meu filho segundo o pediatra é um bebe nota A. Nunca ficou doente e tem um desenvolvimento neurológico acima do esperado. Ele ficou bobo quando viu o Bernardo na consulta de 4 meses sentando sem apoio.Mas o que mais me irrita mesmo é o "intestino do bebe nao esta preparado para digerir alimentos" (eu fico pensando o que foi feito entao de tudo que meu bebe comeu desde 3 meses) ou "quem faz PC nao sabe o que é parir" ou "os bebes nao tem capaciade de fazer manha ou birra antes de 10 meses/1 ano" (entao eu tenho um bebe super em casa!!).Sei la, as vezes acho as pessoas muito esquisitas, algumas acham que o bebe é de cristal, algumas acham que é um robô e que todos funcionam iguais. Eu nao tenho nem um bibelot e nem um robô, tenho um bebê super saudavel, livre e feliz. Ter filho nao é dificil nao, as pessoas que complicam. A maternidade é uma delicia se a gente a viver com tranquilidade e prazer.ODEIO PESSOAS RADICAIS!! rsrsbeijos

  8. Patrícia says:

    Adoro ler os comentários…kkkLeio os fóruns pq me divirto… Mas pensa só, nossas mães e avós não tinham "fóruns" e muitas vezes nem a quem perguntar nada e estamos todos aqui, vivos e bem criados.Maternidade p/ mim é instinto mesmo. Sei que vou saber o que fazer quando precisar, o que vai ser melhor para o meu filho… Só precisarei deixar as "bobagens" de lado e ouvir meu coração. E com toda mãe é assim… Até pq cada caso é um caso, cada filho é um filho e as experiências são diferentes.Palpites todos sempre irão dar (sobre filhos, casamento, etc), o jeito é filtrar e deletar o que não serve… E nunca encucar com o que te falam, as conclusões são sempre suas.Bjs.

  9. Camila says:

    Concordo plenamente com vc!Eu sou uma metralhada porque vou ter PC. MAS sinceramente? Eu to "cagando"e andando pras xiitas!hehe Cada uma sabe o que faz.Ah sim, e quando digo que acho legal uma maternidade que tem aqui em que o bebê passa o dia com a mae mas a noite no berçario?? Noooosssa, só faltam me matar!! Como se alojamento comum 24 horas por dia fosse a receita da boa maternidade!!

  10. Andréia says:

    Adorei! Concordo PLENAMENTE!

  11. Thais says:

    adoro ler o desabafo de vocês, hehe.

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