Relato do meu parto.

Eu demorei para postar o relato do meu parto, mas lendo-o (e vendo o tamanho dele) vocês entenderão porquê.

Ao contrário dos dias anteriores, no dia do parto parece que bateu todo o nervosismo e ansiedade que ainda não tinham chegado. Desde domingo eu estava tomada pela morte do meu pai, e na quinta eu precisei fazer uma mudança no quarto que era dele, o que gerou ainda mais estresse. Fiquei com uma tontura esquisita o dia inteiro, precisando deitar toda hora.
No entanto, apesar disso tudo, procurei manter uma postura positiva. O apoio que recebi das minhas amigas foi fundamental naquele momento, pois fiquei pensando que tudo iria passar, que não era ruim etc. E fui para o hospital querendo encarar uma coisa de cada vez, sem pirar e pensar muito em tudo ao mesmo tempo.

Chegando lá, passei da recepção para a triagem em poucos minutos. Lembro que, enquanto estava lá dentro, escutei a musiquinha da novela e imaginei que já tivesse passado das 21h. A triagem foi muito simples: uma enfermeira me perguntou um montão de coisas para preencher o cadastro interno, mediu minha pressão (estava normal), temperatura, peso, e me mandou para uma salinha onde uma auxiliar faria a minha depilação. A auxiliar estava super mal-humorada, mas eu perguntei sobre a tatuagem dela e o clima foi ficando melhor. No final, ela foi super simpática comigo. Estava nervosa, mas confiante. Depois daquilo, uma enfermeira mais velha me perguntou mais um montão de coisas (que ela poderia ter lido no meu cartão pré-natal, mas era mais fácil perguntar, claro), e o clima ficou tenso, porque ela ficou questionando porque eu faria cesárea etc. Que chatice. Mas tudo bem, passou, e me mandaram para o andar de cima, no centro cirúrgico. Imaginei que seria super rápido a partir dali, mas me enganei.

Ah, antes de subir, deu tempo de dar um último tchau pra minha mãe e para o Ande, que estavam com meus documentos da internação etc. Esqueci de comentar que, nesse momento, eu já estava com aquela camisola horrorosa e aqueles sapatinhos de pano idem. Coloquei quando fui pra sala de preparação me depilar e tomar banho da cintura pra baixo. Deixei minhas roupas com eles e subi. Frio na barriga.

Entrei no centro cirúrgico com aquele ar de “é agora, mantenha a calma”, mas antes precisei ficar em um cubículo pra colocarem a sonda etc. Eram 4, eu fiquei no “D”. Ao meu lado, tinha uma moça berrando, provavelmente esperando ter dilatação. Foi a primeira vez que eu tive medo. Aquilo era sério: eu estava prestes a ter um bebê! Me senti tão criança e frágil e despreparada, mas segui adiante. Deitei na maca para a enfermeira tirar sangue (nem sei porque), e ela errou a minha veia umas 6 vezes. Deixem-me explicar: eu sou aquele tipo de pessoa que desmaia toda vez que vai tirar sangue. Já imaginei que no parto seria tenso, mas ok. Daí ela errou a veia e eu achei que fosse desmaiar. Na hora que ela colocou a sonda no meio do braço, quase aconteceu, mas aguentei firme. Fiquei lá mais um tempo e então me levaram para a sala de cirurgia. Nhai!

A sala é realmente toda aquela coisa espacial, cheia de luzes e aparelhos alienígenas, e aquela maca sinistra no meio.

Não foi uma experiência boa para mim. Não sei se me sentiria melhor se tivesse tido um parto normal, então não vou culpar a cesárea. A sensação é de que eu era uma criança que se tornou adulta de repente. A experiência foi demais pra mim. O Anderson estar comigo foi fundamental. Não sei como teria sido se ele não tivesse ficado lá comigo. Ele ficou me distraindo, falando sobre o pessoal lá na sala de espera, em como todo mundo estava feliz. Só hoje eu vejo como eu fiquei grogue durante a cirurgia, porque na hora não sabia.

O que eu posso dizer é que, quando ouvi o choro do Paul, comecei a chorar muito, foi muita felicidade, mágico mesmo. Piores momentos: a aplicação da anestesia e o fechamento do corte. A picada da anestesia realmente não dói nada – o que dói é a aplicação, quando o líquido entra. Eu estava com muito edema por causa do lance da pressão, então a anestesista tentou umas 4 vezes até achar o ponto certo, e foi terrível. Demorou muito a aplicação e foi sem dúvida a pior parte. Mexem na sua coluna e você sente que nunca mais vai andar, que vai dar algo muito errado, porque aquilo não é normal.

Depois de uma eternidade, deitei na maca e minhas pernas começaram a formigar. Eu conseguia mexer os meus pés o tempo todo, mas não senti nenhuma dor na hora de cortar (estava morrendo de medo disso, mas era o menor dos problemas). As minhas pernas ficaram pesadas – não dava pra levantar. Me colocaram um monte de cateter, a touca, o bagulho de oxigênio no nariz e o medidor de pressão num dedo da mão. O Ande entrou só bem depois disso, quando a anestesia pegou de vez e eles começariam a me cortar. Sente cheiro de pelo queimado sim, eca. A cirurgia também demorou muito. Todo mundo falava nos relatos que durava coisa de 10 minutos da anestesia até o bebê nascer – balela. Pra mim demorou MUITO. Poxa, eu estava na triagem por volta das 21h. O Paul nasceu às 22h26. 00h10 me levaram para a sala do pós-parto e só 02h45 para a enfermaria. Não dormi a noite inteira, com dor e sangrando. Estava sem as minhas roupas também.

Quando terminou o parto, o dr. João ligou para a minha mãe e colocou o telefone no meu ouvido para que eu pudesse falar com ela. Nem lembro direito do que eu disse. Ela só dizia que o Paul era lindo etc. Ele teve que ficar na incubadora um tempo, porque teve um probleminha respiratório normal em casos de cesárea. Depois, na alta, descobri que ele nasceu de 37 semanas, e não de 39, como calculávamos. Isso me deixou bem chateada. Enfim. No final, o dr. João me deu parabéns e um beijo na testa. O Ande foi embora enquanto eles finalizavam os pontos. Foi muito ruim quando ele foi embora. Agora sei que fui forte de aguentar sozinha. Comecei a sentir muito frio. Na sala do pós-parto, me cobriram com um cobertor e eu só sentia aquele sangue saindo lá de baixo. Fiquei com sono, mas não quis dormir para guardar o sono para quando fosse para o quarto, o que não adiantou nada, porque quando a anestesia passou me bateu uma adrenalina enorme e eu não consegui dormir. Estava preocupada com o Paul, querendo ficar com ele. É muito difícil parir e puf, o bebê sumiu. Alojamento conjunto é tudo. Foi uma pena eu não ter tido esse direito. Teria feito muita diferença.

Na enfermaria, fiquei com mais três mães. Não tinha nem tv no quarto. Tinha que ficar lá, só esperando a hora em que os bebês vinham, e a janta às 17h. Foi horroroso ficar lá. Não consegui descansar, passava a madrugada no berçário, com ele no colo, sabendo que estavam dando aquele leite artificial, porque eu ainda não tinha. Não me estressei com isso, mas era tudo muito fora do meu controle e longe de mim, e isso era ruim. Foi uma mistura de todas as coisas possíveis.

No domingo, quando tive alta, foi um alívio tremendo, porque não via a hora de chegar em casa. Aqui, tudo começou a acontecer ao mesmo tempo. Minha anemia piorou, minha pressão ficava alta o tempo inteiro e eu sentia muita dor. Além disso, não conseguia dormir nada mesmo, nem meia hora. Isso foi acumulando, até chegar ao ponto de eu pensar que seria hospitalizada novamente. Então fomos para a casa da minha sogra, que cuidou super bem de mim, fez comida, me levava lanchinho, lavava as roupinhas dele etc. Foi essencial para a minha recuperação. Duas semanas depois, voltamos, e aqui estamos. Está tudo bem tranquilo agora. As coisas estão entrando nos eixos e está tudo cada dia melhor.

No dia seguinte ao parto, achei que nunca mais fosse me recuperar, hehe. Mas vai passando. Ainda sinto dor, mas pouca. É mais quando forço de alguma maneira, tipo subir escadas ou abaixar. O corte ainda está dormente e parece que dura bastante tempo a sensação. Tirei os pontos depois de duas semanas e não doeram nada.

Não quero ter mais filhos simplesmente porque não quero passar por toda essa experiência de novo. A coisa de ficar mal no final da gravidez, ter tido um parto esquisito, uma internação desagradável, um pós-parto traumatizante foi demais pra mim. Paul é a coisinha mais maravilhosa que já me aconteceu, a razão da minha vida, mas será meu único filho.

Certamente existem n pormenores do parto que eu não escrevi aqui, mas vou tentar responder nos comentários, se alguém perguntar algo. Espero que tenha sido útil.

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9 Responses to Relato do meu parto.

  1. Nada é perfeito, né? Eu por exemplo, tive uma cesárea e pós parto mega tranquilos, mas tive uma péssima experiência com amamentação, o que não foi o seu caso. O importante é que estamos com os nossos pequenos super saudáveis!Bjs

  2. Cibele says:

    foi bem útil: jamais terei filhos. e vc ainda queria levar uma headlamp. no comments. HAHAHAHAH

  3. Thais Aux says:

    Ô Thaís, que pena que não foi bom, sei lá, deveria ser algo mágico e só te trouxe aborrecimento… mas não importa. Já passou, fim, agora ele ta aí bonitinho nos seus braços! FELIZ DIA DAS MÃES! ;)Bjs!!!

  4. Clarinha says:

    Thais, acompanho sua gravidez a partir do sétimo mês, quando passei a ler blogs de outras mães, já que estou para ter o meu filhote. Você me ajudou bastante com suas dicas e fico realmente feliz em saber que tudo está melhor para vocês agora! Inspirada no seu blog, até comecei a escrever um, especialmente porque meu marido está longe e não pode acompanhar o meu último mês de perto. Só espero que ele consiga voltar para o parto. Eu sou um pouco medrosa, bem menos corajosa que vc, e sei que isso fará diferença! Força sempre! Abraços, Maria Clara e João.

  5. Miss says:

    Thais, eu alguns aspectos, me senti como vc. Como eu não queria ter cesariana, achei o parto muito esquisito, uma sensação de passividade, inércia, no momento que deveria ser de maior alegria. Eu estava tão anestesiada e alienada deste momento que só consegui me emocionar quando ouvi os resmungos seguido do choro do meu filhote.O segundo dia da cesária é a treva! Parecia que se eu me levantasse, meus órgãos cairiam no chão, uma loucura.De resto, o importante mesmo é que Paul é lindo, saudável e que o seu renascimento será diário, a cada descoberta ao lado dele.Um abraço.Viviane, http://www.miss-aespera.blogspot.com

  6. Poxa Thaís que pena que as coisas aconteceram desta forma. Mas fico feliz que você tenha enfrentado com coragem e garra! Acho que tudo isso serve para que amadureçamos em todos os aspectos da vida. O bom é que as coisas já estão entrando nos eixos, o Paul é um fofo e vocês estão felizes! O resto é resto … e com certeza voc~e pode dizer com todas as forças que é MÃE com M maiúsculo!! rsBjosss

  7. Din says:

    Thais, todo parto é um "parto".. vixe, péssimo… Mas o que eu quero dizer é que cada gravidez é diferente da outra e cada parto é diferente do outro. Tive cesárea e pós operatório ótimos, apesar de ter sido de emergência, por causa da minha pressão, mas, como a Thata, tive problemas na amamentação. Também traumatizei e desisti de engravidar de novo na época, mas ….. Agora que o Gui está com quase 5 meses, já me pego pensando nisso de novo… É engraçado, existem coisas que a gente simplesmente esquece, sabe por que? Porque passa muito rápido… Ah! A sensação no corte fica por um tempo mesmo, acho que até seis meses, mas nosso corpo vai acostumando, então nem esquenta!

  8. Thais Bessa says:

    Que pena que os aspectos ruins roubaram um pouco da gostosura desse momento… mas já passou e vc está recuperada, que bom.Acho que vc já ouviu isso um milhão de vezes, mas vou repetir: essa vontade de não ter mais filhos (na verdade pavor) é normal. Meu parto foi absolutamente maravilhoso, mas mesmo assim fiquei com essa ideia fixa de não ter mais filhos. Hoje já considero a possibilidade, mas daqui uns 4 anos. E antes de engravidar falava que queria 4 filhos, hoje são 2 e olha lá. Talvez passe, mas se não passar, um filho só está bom tb.Bjos

  9. Ana Gomes says:

    Primeira vez que participo do seu blog, até porque, descobri faz pouco tempo. Estou lendo os posts aos poucos, mas confesso que são ótimos, to viciada. Tem uma forma muito simples e explicativa. Morro de rir, às vezes. Situações que TODA mãe passa.Nesse post mesmo, por mais que tenha me desesperado com seu relato, tive um sorrizinho no canto da boca. "Sala Espacial" foi a melhor.Sou mamãe de primeira viagem também, mas já escutei outras mães dizendo que a experiência do parto não foi agradável e por esse motivo não teriam outro filho tb…. mas como já disseram aí…. passa! A alegria de um bebê faz com que esqueçamos os momentos ruins. Estou de 4 meses e tenho muito a aprender…. sempre teremos.Um abraço e parabéns por esse fofo!!!

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