Adaptando a rotina da Encantadora de Bebês no comecinho.

Já comentei diversas vezes aqui no blog como ter lido o livro azul da Encantadora de Bebês ainda na gravidez mudou a minha vida. Eu já tinha tudo esquematizado (ao menos teoricamente) antes do parto e já sabia como queria (e não queria) as coisas, especialmente com relação à rotina e à interpretação do choro do bebê. Vou repassar aqui, então, como foi o começo de tudo e a adaptação ao EASY.

Relendo depois o livro, eu percebi como cada palavra agora tinha um significado mais profundo. Antes, quando eu lia que “os primeiros três ou cinco dias são os mais assustadores”, eu pensava: “normal”. Mas, depois de ter passado por eles, hoje eu percebo como foram mega assustadores e ela, mais uma vez, tinha razão.

Quando eu cheguei em casa, estava contente por finalmente deixar a maternidade e estar no meu ambiente, mas estava cansada. Não apresentei a casa para o Paul, porque ele estava dormindo. Apenas, quando chegamos, eu disse bem baixinho a ele: “essa é a sua casinha, Paul”, e fomos direto para o quarto, onde eu já tinha deixado tudo pronto.

Como o Paul nascera com 37 semanas (e não 39, de acordo com as nossas contas), a recomendação da pediatra foi amamentá-lo de 2 em 2h, mesmo de madrugada, pois era essencial que ele ganhasse bastante peso (saiu da maternidade com 2,850kg). O problema é que, nos primeiros dias, o Paul era super dorminhoco (como todos os bebezinhos), e eu ficava em dúvida se deveria acordá-lo ou não. Ele não acordava chorando para mamar, então eu o acordava, pois tinha medo que ele simplesmente parasse de respirar e ficasse desnutrido. Hoje eu sei que foi a coisa certa, pois li que pode acontecer de os bebês ficarem com vestígios da anestesia do parto no corpo, o que os impede de acordar, mesmo com fome. Na época, não sabia disso, mas segui meu instinto. E la´estava eu, perdidinha, e meu marido, mais ainda, acordando de 2 em 2h para dar de mamar.

Parte do meu trabalho é auxiliar os pais a formarem uma perspectiva. Digo aos casais desde o início: isto não irá durar para sempre. Vocês conseguirão se acalmar. Vocês se tornarão mais confiantes. Você será o melhor pai ou a melhor mãe que conseguir ser. E, em algum momento, acredite ou não, seu bebê dormirá a noite inteira. Por enquanto, vocês precisam diminuir suas expectativas. Haverá dias bons e outros não tão bons; preparem-se para ambos. Não lutem pela perfeição. – Encantadora de Bebês

No primeiro dia em casa, já pedi ao meu marido que fosse até a farmácia comprar os bicos de silicone e as conchas de amamentação, pois o Paul não conseguia mamar de jeito nenhum. Aqui entrou a minha enorme ansiedade e também a falta de experiência do meu marido. O negócio era ser paciente e tentar desde o começo ajustar a pega do Paul no seio, mas fiquei com medo que ele ficasse com fome, então apelei para os bicos. Na verdade, eles foram ótimos, porque o Paul sugava de verdade, e no segundo dia meus seios ficaram enormes e pareciam dois tijolos, de tanto leite. Foi quando os problemas começaram.

Em primeiro lugar, porque a rotina que tínhamos pensado – Ande ia trabalhar, minha mãe ficava aqui na hora do almoço – era impraticável. Eu precisava de alguém o tempo todo me ajudando, porque minha casa é um sobrado e eu não conseguia nem levantar da cama direito. No segundo dia, com os seios explodindo, minha pressão foi às alturas (ainda continuidade da pré-eclâmpsia), tive uma enxaqueca fortíssima (que durou semanas), a anemia da maternidade piorou e eu não conseguia nem me mexer direito por causa do corte da cesárea, que doía demais. Além disso, não tinha dormido ainda. Mesmo quando o Paul dormia, eu ficava preocupada se ele estaria respirando ou não – foi um sufoco. Dormir é o que faz a diferença na recuperação. No terceiro dia, Ande deveria voltar a trabalhar, mas era impossível. De noite, ele tinha show da banda. Não tinha como eu ficar sozinha. Eu sequer tinha apetite, quanto mais condições de descer as escadas para esquentar a comida no microondas, que seja. Foi então que decidimos ir para a casa da mãe dele passar alguns dias.

Chegamos lá de noite e eu quase desmaiando. A família dele foi tudo pra mim naquele momento – além da mãe, as irmãs também estavam dispostas a me ajudar. Eu simplesmente não tinha condições. Cheguei lá sem cor nos lábios, precisando simplesmente dormir. Foi fundamental ter alguém fazendo as tarefas básicas para a gente: comida, lavar louça, lavar as roupinhas do Paul, limpar o quarto. Ande pôde voltar a trabalhar no outro dia e minha única e exclusiva tarefa seria cuidar de mim mesma e do Paul. Mas foi aí que começaram os outros problemas.

Primeiro, porque me senti extremamente triste com o fato de não estar na minha casa e ter que ficar “de favor” na casa dos outros, mesmo que seja família. Segundo, porque estar rodeada de pessoas que querem te ajudar, apesar de ser maravilhoso, significa que você ouvirá opiniões de todos os lados. Terceiro, não existe liberdade. Quarto, eu só tinha levado o essencial para nos virarmos bem lá, então eu sentia falta das minhas coisas – coisas simples, como poder acessar a internet e pesquisar o que estava acontecendo com ele, conversar com meus amigos, mandar e-mails, escrever no blog etc. Quinto, eu precisava seguir os horários da casa, e não os meus – tinha que dar banho nele em tal horário, essas coisas. E sexto, finalmente, eu tinha medo de estar fazendo tudo errado, em qualquer coisa que eu fazia.

Não se esqueça de ser absolutamente realista: o período pós-parto é muito difícil, um terreno rochoso. Quase todos tropeçam ao longo do caminho. – EdB

Aqui começo a falar do EASY, então.

Como todos os recém-nascidos, Paul praticamente só mamava e dormia. Eu o acordava na hora de mamar, mas ele sempre dormia no peito – eu precisava ficar estimulando-o o tempo todo. As mamadas duravam de 45 minutos e 1 hora. Depois, eu o trocava. De madrugada, fazia o contrário, pois trocá-lo o despertava muito. O EASY era rapidinho, coisa de:

– 40 minutos mamando
– 15 minutos trocando fralda e roupa molhada (eu era uma negação… demorava pacas)
– 1 ou 2 horas de sono, incluindo o ritual de colocar para dormir

Eu só conseguia amamentar com os bicos de silicone, e meus seios ficaram realmente doloridos – os bicos racharam, sangraram, descamaram. Não havia pomada que curasse.

Uma regra que eu fiz questão de seguir foi a de descansar enquanto pudesse. Então, mesmo que o Paul estivesse dormindo e eu não conseguisse dormir (tive insônia, além de tudo), eu ficava deitada. Não conseguia sequer pegar um livro para ler na primeira semana. Foi muito cansativo.

Eu falei lá em cima sobre a coisa de acordá-lo de 2 em 2h, mesmo de noite. Na casa da minha sogra, ela brigava comigo, dizendo que eu deveria deixar o bebê dormir, pois ele acordaria se estivesse com fome. Então ficava essa dúvida entre o que a pediatra falou e o que a minha sogra dizia, que também fazia sentido. Ande me pressionava, porque estava cansado também e precisava dormir para ir trabalhar. Conversando com a minha amiga Magna, ela sugeriu que eu aumentasse a frequência de mamadas durante o dia e ficasse mais tranquila à noite. Mesmo assim, eu o acordava de madrugada (de 3 em 3h), pois algo me dizia que eu deveria fazê-lo, simplesmente. Isso foi bom, porque depois li sobre o lance da anestesia e, se não o tivesse acordado, poderia ter ficado séria a coisa.

Com 10 dias de vida, fomos à primeira consulta com outra pediatra. Fiquei boba ao ver que ele tinha engordado apenas 100g – e estava longe de recuperar o peso de quando nasceu. Por esse motivo, a médica pediu para complementarmos as mamadas com Nestogeno, o que fizemos sem discutir. Nossa rotina então estava assim. O problema foi que o Paul começou a passar super mal depois disso. Primeiro, começou a ter refluxo, coisa que ele não tinha antes. Segundo, ele não conseguia dormir de tanta dor de barriga e gases. Conversando novamente com a minha amiga, decidi parar de dar o LA e ficar só no LM, dando em livre-demanda. Não me importava com a duração de 3 em 3h que a EdB sugeria – eu me importava com a sequência: mamar / atividade / dormir. Acabou entrando em um ciclo de 2 a 3h de intervalo naturalmente.

Na segunda noite na casa da minha sogra, Paul se esguelou de chorar da meia-noite às 11h da manhã. Só o peito o acalmava, mas assim que ele largava, começava a se contorcer muito e a chorar aos berros. Eu sabia, simplesmente sabia, que ele estava com cólica e que dar o peito só aumentaria o seu mal-estar, mas sugar era a única ncoisa que o acalmava, então o deixei no peito quase 12h seguidas. Na manhã seguinte, compramos uma chupeta, a meu pedido, e a partir dali tudo ficou mais fácil. Acho que aquela noite foi a mais difícil de todas. Ficamos muito nervosos e eu só ouvia “dá o peito, dá o peito”, mesmo sabendo que “dar o peito” só pioraria a situação…

Aqui entra o SLOW. O bom-senso de conhecer seu bebê e saber o que ele tem.

Ele era muito pequenininho. Quando ficava muita pegação no colo, ele logo começava a chorar, porque era demais pra ele. Eu ouvia o tempo todo que ele tinha que se acostumar, mas ok, depois, e não recém-nascido. Eu sempre acreditei que recém-nascidos precisam de tranquilidade, não de bagunça. Então, quando ele começava a chorar de nervoso, eu o pegava no colo e ficava no quarto escuro, dando tapinhas nas costas e fazendo “shhhh”, até ele se acalmar e dormir. Ouvi críticas demaaais sobre isso, mas eu estava sempre certa. Ele só precisava se acalmar e ficar tranquilo.

A tática de enrolar na manta, dar tapinhas e fazer “shhhh” funcionou demais nas primeiras semanas e ele só dormia assim, porque tinha os braços e pernas totalmente descontrolados, o que geralmente o acordava. Embrulhadinho, ele dormia bem. É fundamental ter confiança e fazer o “shhhhh” mais alto que o choro dele, ser persistente e simplesmente continuar, porque uma hora ele pára de chorar para prestar atenção no que você está fazendo. Sempre dava certo.

O mais difícil do lance da EdB é provar para as outras pessoas que você, mãe de primeira viagem, incrivelmente sabe o que está fazendo. As pessoas te subestimam. Meu marido, até hoje, questiona várias coisas que eu faço, mas depois vê que dão certo e se rende. É fundamental ter confiança e pulso firme.

Depois de quase 1 mês longe de casa, finalmente me senti melhor e voltamos. Foi um dos dias mais felizes para mim. Eu já estava melhor de saúde e poderia fazer as coisas como eu queria. Além disso, em uma semana, o Ande entraria de férias, o que ajudaria demais. Era a hora certa de finalmente colocar a rotina em prática, de acordo com o meu horário e as minhas possibilidades. Entrar no quarto e ver o bercinho dele ali, todo bonitinho, a pintura na parede, a cortina de limõezinhos balançando ao vento, todas as coisinhas dele prontinhas, o cheirinho de bebê foi… indescritível! Naquele mesmo dia, já começamos a implantar as “mudanças”.

Alguns dias depois, tivemos consulta com o novo pediatra (o atual), e como o Paul mal tinha recuperado o peso do nascimento, foi necessário complementar as mamadas novamente, desta vez com o NAN 1, pelo menos até ele chegar ao peso médio da idade dele. Desta vez, ele não teve problemas com o LA, não teve cólicas, e em uma semana engordou 400g! Fiquei muito contente e me perguntei porque não tinha feito isso antes. Minha tia, que teve o último filho prematuro, contou que precisou dar LA no começo para ele ganhar peso, e depois ficou só dando o leite materno. Me senti burra por não ter feito isso. Teria conseguido amamentar com mais tranquilidade, além de conseguir descansar e me recuperar mais rapidamente, mas foi falta de confiança e de informação, nesse quesito. Eu estava muito obcecada pela ideia de amamentar e não admitia qualquer outra possibilidade.

Enfim, entramos de cabeça no EASY e no esquema 3x3h. Paul acordava, mamava no peito, depois tomava a mamadeira com o NAN, arrotava, trocava a fralda e o deixava acordado até ele apresentar sinais de cansaço. Então, era só fazer o ritual do sono e colocá-lo no berço ainda acordado. Ele aprendeu a dormir assim. Hoje, quando falo que é só colocá-lo no berço que ele dorme, muita gente fica chocada, mas é só fazer a coisa certa desde o inínio e prestar atenção aos sinais de sono dele. 1h30 ou 2h em cada soneca durante o dia, e à noite deixá-lo acordar quando estivesse com fome. Ele mamava à meia-noite, às 3h e às 6h, religiosamente. Chegando perto de completar 2 meses, começou a eliminar naturalmente a mamada das 3h.

Outra coisa da EdB que fiz desde o começo foi conversar com o Paul e explicar cada coisa que estou prestes a fazer com ele. Aquilo de: “agora mamãe vai pegar o Paul no colo” e “deixa a mamãe trocar essa fralda”. Ele fica prestando atenção e se distrai, além de se acostumar com a minha voz.

Bom, vocês já perceram que o assunto rende pano pra manga. Dei uma resumida aqui, mas vou abordar ponto a ponto em próximos posts.

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7 Responses to Adaptando a rotina da Encantadora de Bebês no comecinho.

  1. Camila says:

    nossa, que barra que vc enfrentou! Mas me diz uma coisa, essa anemia que vc teve, vc desenvolveu no hospital por causa da cesárea ou vc já tinha na gravidez e ela só piorou? Eu pergunto porque eu estou com anemia! Tomando complementos de ferro, mas tenho anemia sim! outra coisa, vc disse que o Paul nasceu de 37 semanas e não de 39 como imaginavam! P q ? Digo, o tempo gestacional do 1 ultrassom que vc fez na gravidez não bateu com o tempo real de gestação? E como que vcs descobriram essa diferença depois que ele nasceu? E p q só depois que ele nasceu ? Eu lembro que vc sempre falava durante a gravidez em alguma coisa a ver com 2 semanas a mais ou a menos de gestação! no fim das contas teu instinto tava certo né?Eu estou relendo o livro Azul da Encantadora de bebês e preciso terminar antes da minha filha nascer! Eu gostei muito do livro e acho que a Tracy tem bastante bom senso! Espero conseguir implantar o EASY na minha filha logo no começo. O rosa eu ainda não comecei, mas dizem que é melhor se concentrar no azul e depois usar o rosa pra tirar dúvidas conforme elas forem surgindo né?ps- Comprei a mamadeira da Dr. Brown's!

  2. Clarinha says:

    Thais, gostei muito do seu post pq me identifiquei na hora. Meu filho tem oito dias de vida e estou muito insegura, especialmente pq moro na casa da minha sogra e quero colocar em prática tudo o que li da Encantadora, mas, como vc mesma disse, o que mais ouço é: "dá o peito". E se não damos, somos consideradas crueis! Ninguém realmente acredita que possamos saber como fazer. Agora, quanto a dormir, por enquanto, acho que o João, meu filho, nao consegue muito sem estar mamando. Ele fica muito desesperado para sugar e não aceita a chupeta! Espero que, ao ficar maiorzinho, eu consiga colocar a rotina em prática.

  3. Thais says:

    camila, eu tive após o parto. não tinha anemia antes.com relação ao tempo gestacional, depois que ele nasceu a pediatra calculou que ele estava de 37 semanas, pelo tamanho, peso e desenvolvimento no geral, especialmente dos pulmões. eu contava pela data do primeiro ultra sim.quanto aos livros, é isso aí.clarinha, comentei lá no seu blog! vou escrever mais sobre o começo e espero que ao menos te sirva como uma experiência a mais. cada situação é diferente, mas sempre podemos trocar ideias, já que é tudo tão complicado quando somos mães de primeira viagem, né?

  4. An@ Paul@ says:

    oie, adorei seu cometário na minha foto, Obrigada pelo elogio!Vim aki e simplesmente ADOREI seus posts… São dicas de se roubar!!! rsrs…Adoro mamães assim, q qdo tem seus babys deixam várias dicas para as outras mamães de 1ª viajem q nem eu, rs…Voltarei sempre, com ctza!beijão!

  5. Roberta says:

    Oi Thais, como sempre adorei seu post… Ainda nao comprei o livro azul mas espero compra-lo ainda esse mês. Minha neném, a Maria Vitória nasce no inicio de agosto, espero q dê tempo de ler.O início sempre é dificil né, espero ter a sua tranquilidade para enfrentar tudo.Suas dicas são sempre valiosas, obrigada por compartilhar suas experiências e ajudar a todas nós, mamães de primeira viagem.Bjos

  6. Ana Paula says:

    Esse post foi tão bom que eu li duas vezes !!!Fantástica a sua experiência….parabéns mais uma vez pela perseverança, você é uma super mãe !(e continua a minha sugestão de você escrever o livro: "A Encantadora de Bebês – a vida como ela é" rsrsrsrsrsrsBeijos

  7. Ana Gomes says:

    Thais,Obrigada por compartilhar! Vc realmente conseguiu colocar em prática desde o início, mesmo com toda a turbulência. Espero conseguir também.E essa é a frase: "O mais difícil do lance da EdB é provar para as outras pessoas que você, mãe de primeira viagem, incrivelmente sabe o que está fazendo. As pessoas te subestimam. Meu marido, até hoje, questiona várias coisas que eu faço, mas depois vê que dão certo e se rende. É fundamental ter confiança e pulso firme."

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