Rotina não é cronograma e mais algumas palavras sobre o EASY.

“O bom de você ter estabelecido uma rotina é que nunca falta nada – a gente sempre supre todas as necessidades dele antes de ele precisar chorar pedindo.” – meu marido, o maior cético que existe com relação ao EASY, e que todos os dias dá o braço a torcer.

O maior erro de quem critica o EASY é dizer que se trata de um cronograma. Na verdade, a Tracy Hogg condena absurdamente isso! Não é um cronograma – mas uma sequência de atividades que permitem que o bebê adquira hábitos e saiba o que esperar. Além disso, você e o resto da família também podem se programar. E, o mais importante: o bebê está sendo bem cuidado. O que ela mais fala nos livros é para jogar fora o relógio e prestar atenção no seu bebê. Então eu tenho 100% de certeza que quem critica com esse argumento não tem a menor ideia do que está falando e nunca leu nenhum livro.

Claro que, repetindo uma certa sequência de fatos, um padrão irá se repetir diariamente, o que não quer dizer que seja rígido. Muito pelo contrário – é totalmente flexível. Significa que, se o bebê acordar às 6h45 ou às 7h15, em vez das 7h, ele irá mamar da mesma forma. Que, depois da mamada por volta das 19h, ele irá tomar banho e se preparar para dormir. Só isso.

Óbvio que não são todos que gostam de estabelecer uma rotina. O que eu mais leio é “quem faz a rotina é o meu filho”. Cada um com seus problemas. Se vocês estão bem assim, então por que se preocupar com uma rotina que outras pessoas estão fazendo? Comigo funciona demais, e sempre fico extremamente contente por ter lido os livros dela. Foi essencial na minha vida como mãe. Eu me identifiquei e vejo as coisas acontecendo no dia-a-dia.

Vou colocar aqui alguns conceitos dela e explicar como eu os entendo, para demonstrar o que escrevi acima.

“Quando o problema persiste, normalmente a causa reside em algo que os pais fizeram ou na sua atitude. Eu defendo sempre o bebê.” – Tracy Hogg

Se algo está dando errado, as possíveis causas são:

Você está seguindo o ritmo da criança em vez de estabelecer uma rotina. Os bebês sabem o que você ensina a eles. Os bebês, quando nascem, são apenas instintivos. Manter uma rotina não é uma forma fria e cruel de agendar a vida do seu filho, mas permitir-lhe que tenha uma estrutura segura em seio familar. Eles sabem o que esperar. Nós somos os adultos da vez e precisamos orientar nossos filhos, não seguir o ritmo deles, especialmente de bebês que, se pudessem, ficariam 24 horas no peito, porque é a única coisa que nasceram sabendo fazer! Se você está contente com isso, ótimo, mas se não está, talvez estabelecer uma rotina possa te ajudar.

Você está exercendo paternidade acidental. Paternidade acidental é tudo aquilo que você faz que, no momento, é mais fácil, mas acaba criando um condicionamento no bebê. Exemplo clássico? Bebê chorou, dá o peito, sem nem saber se ele está chorando mesmo de fome ou por outro motivo igualmente importante. Na verdade, você está o calando, querendo dizer: “não importa o que você está sentindo, pois vou te responder da mesma forma o tempo todo”.  “Meu bebê só dorme no peito”, “meu bebê só dorme no colo”, “meu bebê só dorme se deitar comigo na cama”. Tudo isso é paternidade acidental. Você faz o que é mais fácil no momento, aquilo funciona, mas depois você se arrepende e é dificílimo tirar da criança um hábito que você mesmo estabeleceu! Por isso, comece da forma que deseja continuar.

Você não está prestando atenção no seu filho. Não entende seus sinais, sua linguagem corporal, seu choro. Projeta suas próprias emoções no coitado. Sempre que ele chora, você acha que é determinada coisa, em vez de parar e observar para saber efetivamente do que ele precisa. Prender-se a horários também é um exemplo. Se o seu filho costuma ter fome de 3 em 3h, mas naquela noite, excepcionalmente, ele está faminto, é óbvio que você tem que alimentá-lo.

Você não está levando em consideração que crianças pequenas mudam o tempo todo. Quando algo estava indo bem, de forma estável, tudo muda. Esse é um fato da vida – aceite-o. Preste atenção no seu filho.

Você está procurando uma solução fácil. Seu filho não tem um botão. Seu filho não começará a dormir a noite inteira imediatamente quando você voltar a trabalhar, se até agora ele não fez isso. Você precisa ser paciente e ir com calma, instaurando mudanças aos poucos, além de ser confiante. Tentar 20 coisas ao mesmo tempo obviamente não vai surtir qualquer resultado, além de te deixar estressada. Tentar uma vez não significa tentar.

Você não está realmente disposto(a) a mudar. Se você quer resolver um problema, precisa ir até o fim. Não adianta começar uma coisa e parar no meio do caminho porque achou muito difícil ou complicado. Se você fizer sempre a mesma coisa, obterá a mesma resposta. Se mudar, a resposta será diferente, mas há um período de adaptação, especialmente para os bebês, então você precisa ir devagar, testar, ver a reação, tentar mais um pouco… até conseguir. E não desistir no meio do caminho.

Você está tentando algo que não combina com a sua família ou com a sua personalidade. Vou citar alguns exemplos: cama compartilhada quando só um dos pais acha que é certo. Deixar o bebê chorando à noite no berço porque leu em algum lugar que isso é o certo, apesar de você ficar chorando junto. Deixar de acalentar o bebê porque alguém disse que ele ficaria viciado em colo. Os exemplos são inúmeros. Existem zilhões de maneiras de criar uma criança – se você não se sente à vontade com uma delas, simplesmente não a aplique! Encontre o que combine com vocês e os faz sentir-se bem.

Não existe um problema, nem nada a ser consertado. Você cisma com coisas que não precisava, tipo: “meu bebê dorme 10h à noite e está ganhando peso normalmente, mas eu gostaria que ele dormisse 2 horas a mais”. Acalme-se e observe o seu filho. Isso nos leva à próxima questão.

Você não tem expectativas realistas. Alguns pais simplesmente não têm muita noção do que é ter um filho. Você está criando um ser humano. Não dá para acreditar que, tendo um filho, você voltará à sua vida de antes com o passar do tempo. Os bebês acordam com fome à noite. Eles fazem cocô depois do banho. Eles choram no meio da fila do caixa. Quanto mais cedo você aceitar isso, melhor para todos vocês. Os bebês precisam de cuidado, vigilância constante e muita dedicação amorosa, e isso vem do entendimento e da aceitação.

Concluindo, o EASY se resume a:
– conhecer seu filho;
– atender suas necessidades;
– amá-lo;
– educá-lo;
– criá-lo para esse mundo maluco.

O que o EASY não é:
– um cronograma rígido;
– um método que ignora as necessidades do bebê.

Conosco, tem dado certo.

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5 Responses to Rotina não é cronograma e mais algumas palavras sobre o EASY.

  1. Thais, se tem uma coisa que todos (os médicos, os pedagogos, os psicólogos, etc.) concordam é que rotina é fundamental! Quando eu experimento sair da rotina aqui em casa, tudo vai mal: e estou falando da minha filha de cinco anos, viu!Para bebês rotina é amor!Confesso que tenho um preconteito com a encantadora: talvez seja pelo que os seus leitores/seguidores me passam. Nunca li e acho que vai ficar para outra vida.O que importa é que tem dado certo!Abraços,

  2. Fabiana says:

    EU particularmente não gosto da Encantadora.Mas concordo com o lance de rotina. Tudo fica mais fácil. Pra gente e para o bebê.E tudo é persistência. Veja o exemplo: Laura começou mamando em bico universal, aquele redondinho. Mas agora com 6 meses, qdo for mudar os bicos, quero começar a dar no bico ortodôntico.Por isso, já comprei uma chuquinha com esse bico e estou oferecendo o suco nela. O suco é só uma vez ao dia e ela vai se acostumando com o bico diferente.Ela não gostou muito no começo, mas está se acostumando =)ADOREI esse post.Bjos.

  3. Thais Bessa says:

    Amei o post (e o selo da Tracy aqui do lado, pode roubar?) e posso tb linkar o post no meu blog? Falou e disse. Veja só: Isabella tem tirado sonecas de 30 minutos, daí após muito desespero fui reler o livro sobre sono que comprei e vi altas coisas que eu estou fazendo (realmente a culpa nunca é do bebê, é dos pais mesmo, que erram querendo acertar). Ela diz que reajustar o day time é mais difícil e demora mais (até 2 semanas), mas vamos com fé!Nesse seu post eu adicionaria outro erro dos pais, mesmo os que dizem que seguem uma rotina ou a EdB: desistir cedo. Canço de ver gente dizendo "eu tentei colcoar rotina hoje e não deu certo" "me falaram que isso funcionava, eu fiz ontem a noite aqui em casa e nada". Aí param. Sendo que a implantação de rotina e mudança de hábitos demoram dias (hábitos noturnos) ou semanas (hábitos diurnos).Estou devendo comments aqui em milhões de posts, mas foi mal, a coisa tem sido mais tensa aqui em casa, mas vamos lá umas coisas que eu me lembro agora:1) Sobre a babá eletrônica: se vc puder, compre sim, eu acho muito útil. Mesmo quando a deixo brincando no berço vidrada no móbile pra ir ao banheiro, ou quando ela dorme, eu levo pela casa toda e fico tranquila. Com a babá vc ouve TUDO. Rola até de ficar psicótica, durante a noite altas horas eu levanto por causa de um barulhinho e vou lá é só ela virando, achando uma posição mais confortável. Por isso comprei uma com câmera, mas está com problema, acho que vou ter que trocar (comprei usada no e-bay, aqui é carinho, no Brasil era impensável pra mim, custa mais de 600 reais, tá louco). Tomara que a gente consiga trocar, porque ver que ela continua dormindo e eu poder virar pro lado e dormir sem ter que levantar vai melhorar minha qualidade de vida.2) Eu acho que vc não deveria colocá-lo na rotina de 4 hrs ainda não. A EdB fala que várias coisas são só a partir de 3 meses, pro bebê de 4 meses, tais como a rotina de 4 hrs e o PU/PD. Eu fiz o PU/PD com a Bebella desde antes, não sabia que não era bom, mas deu certo aqui.3) Sobre manha: a Isabella eu já notei que é da personalidade dela ter gênio forte, ser birrenta e querer tudo do jeito dela. COm essa idade ela dá grito, esperneia (se estivesse na vertical seria sapateada no chão, ai deus). Aí para de gritar e me olha. Ou faz aquele choro tossido, falso, para de chorar e olha pros lados pra ver se deu ibope. Tento cortar desde já. Tb não falo tadinha, mas tb não reajo com alegria, pois tenho medo dela ver isso como uma "vitória" da manha. O que eu tenho feito é assim que ela dá um grito ou chora falso eu chego perto dela ou pego no colo e olho bem no olho dela e fico falando, com tom de voz normal (nem bravo mas tb nem fofo, sempre em voz baixa) "pra que isso? não tem motivo pra isso, vc mamou, está de fralda limpa, acabou de dormir, a mamãe está aqui, etc. Se tem motivo pode chorar, mas chorar sem motivo não precisa". Por incrível que pareça tem funcionado e eu acho que ela tem começado a entender. Os bebês são mais espertos do que a gente acha.

  4. Thais Bessa says:

    (cont.)4) Rotina mais cedo: na minha opinião banho as 23 é tarde, fica frio e parece que o dia fica longo demais. O banho de tardezinha até na gente parece que relaxa e te mostra que o dia acabou mesmo e é hora de começar a noite, acalmar, preparar pra dormir. E logo vc vai querer colocá-lo numa rotina de 12 horas de sono a noite (interrompidas pela mamada dos sonhos), entao eu acho de 23 as 11 meio estranho, mais tarde quando ele for pra escola, creche, vai ser complexo re-adaptar. Penso sempre no "comece como quer continuar", hehe. Mas talvez funcione aí pelo sei marido tocar a noite e chegar mais tarde.5) Que bom que vc saiu com ele, precisa mesmo, pra vc se distrair e ele se acostumar com o mundo! Vc passeia de carrinho com ele, assim na sua rua mesmo? Eu passeio todo dia e acho que ajuda a estimular, ver as coisas e ficar menos arredio com outras pessoas. Melhorou a bichice-do-mato da Bebella!6) Fiz a sua brincadeira do que tem na bolsa do bebê lá no blog!7) Vc já viu esse blog da Jana? Ela tb segue a mesma linha que nós e o baby dela já tem mais de 1 ano, então ela dá umas dicas bacanas pra mais pra frente, como desfralde: http://paternidade-objetiva.blogspot.com/Ufa, desculpa o mega comment, rs.Bjos

  5. Adorei o post também.Seu blog é uma utilidade pública, como ótima referência pra início da maternidade!Não estressa com o povo, deixa falar, geralmente quem defende uma idéia com convicção tem sempre gente pra contestar e criticar.beijos pra vc e pro Paul!

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