08.08.10.

Hoje é dia dos pais e eu não sou a pessoa mais indicada para falar sobre o assunto. Meu dia não foi muito bom – não passei bem, fiquei com saudade, me irritei. Teve churrasco aqui em casa. Isso foi bem gostoso. É super bom reunir a família e ficar conversando. O Paul estar comigo é o melhor presente para toda a vida. Apesar de continuar sendo aquela rotina maluca de cuidados (que toda mãe sabe como é), nem se compara ao começo. Hoje me sinto bem mais no controle e as coisas são mais fáceis. Com ele.

Então hoje resolvi chutar um balde.

Eu acho que um bom pai é aquele que participa. Porque amar, até o Alexandre Nardoni amava. Amar não basta. Você precisa ser responsável, respeitar toda a família, querer ajudar. Não consigo entender como ainda existe aquele tipo de pai machista que acredita que cuidar dos filhos seja papel somente da mulher. Isso é tão rudimentar! Não me conformo com o machismo propagado mesmo por muitas mães, quando dizem que “elas cuidam do bebê, porque o pai trabalha”…

Vão me desculpar, mas eu também trabalho – e muito! Com a diferença que eu não posso ir ao banheiro sozinha quando eu quero, não tenho horário de almoço e não basta bater o cartão para entrar, para sair e plim! está fora do expediente para descansar. Ser mãe é trabalhar em tempo integral. Porque não é só cuidar do bebê – é cuidar da casa, do trabalho extra, de si mesma. Quem dera fosse assim tão fácil “ter que trabalhar” no dia seguinte e, chegando em casa, usar isso como desculpa para não ajudar. Acho o fim.

Primeiro, porque nós, mães, também precisamos fazer outras coisas, além de cuidar dos nossos filhos. Isso não significa que queremos nos ver livres deles. Significa que temos amor-próprio e outras coisas para fazer.

Segundo, porque é imprescindível, para qualquer criança, a companhia do pai. Seja menino ou menina, o comportamento do pai influencia demais no comportamento daquela mini-pessoa em formação. Ele é o primeiro exemplo masculino – sintam o peso disso! Para uma menina, porque um dia ela vai escolher um cara bacana para ficar junto, e ela precisa ter uma boa referência de caráter para não entrar numa fria. Para um menino, porque é o modelo que ele vai querer ser – ou odiar para sempre.

Terceiro, porque os filhos querem ficar com os pais. O toque da mãe é diferente do toque do pai. O pai dar banho, trocar uma fralda, colocar para arrotar, contar uma história antes de ir dormir são gestos de amor e carinho. Quando o pai abre mão disso tudo, está abrindo mão dos seus filhos, basicamente. E não adianta empurrar com a barriga, deixando a mãe estafada e os filhos com saudade. Cada dia que passa fica na memória afetiva da criança, e isso é decisivo na sua personalidade. Além de estragar sua educação com o pai, estraga com a da mãe, que fica com todo o peso nas costas e com muito mais chance de errar também, porque faz mais coisas.

Por que, então, os pais não ajudam? Não se interessam? Por que os pais bacanas são em tão minoria? Machismo? Tradição? Preguiça? Má-vontade? Desrespeito? Para mim, todas as alternativas anteriores e algumas outras das quais não me recordo no momento.

Meu pai não foi um bom pai. Ele era tão novo que eu mais o considerava um irmão mais velho. Quando eu era criança, apanhei muito. Tanto que me sinto traumatizada com isso e definitivamente não farei com o meu filho. Tenho na memória lembranças vivas de momentos péssimos que passei com o meu pai, mas não vou falar nada aqui para preservá-lo, mesmo morto. O que eu posso dizer é que hoje entendo muita coisa. Ele era novo. Eu nasci quando ele tinha 18 anos. Era um carinha irresponsável, zoeira, e ninguém deveria esperar que amadurecesse de uma hora para a outra só porque se casaria e teria uma filha. As pessoas deixam as situações serem levadas, e a verdade é que todo o meu caráter foi formado pelo que eu vivi com os meus pais. O menor gesto que ele tenha feito pode ter ficado no meu subconsciente, e durante muitos anos eu o odiei, por tudo o que ele fazia. Não me conformava com seu comportamento e cresci desenvolvendo o sarcasmo como segundo idioma, com todas as pessoas. E tenho a absoluta certeza de que ele não tinha consciência disso. Para ele, eu era a menina que cresceu criada pela mãe, e depois pela avó. Ele não achava que era responsável por mim. Mas era.

Escrevi tudo isso para ressaltar a importância de um bom pai na educação de um filho. Com toda a certeza eu seria uma pessoa melhor se o meu pai tivesse sido mais responsável e preocupado. Mas daí eu pergunto: será que esse mesmo comportamento dele já não é fruto do que ele aprendeu com o seu próprio pai, o meu avô? É claro que sim, e assim vai.

Sou ansiosa por natureza. Por esse motivo, já começo a me descabelar quando vejo uma atitude negativa se formando. Não consigo me conformar com tanta coisa que acontece por aqui. Porque não é tomar o atalho mais fácil. É pensar nas consequências, ser legal, tratar o filho e a mãe com respeito. Dar o exemplo. Eu sempre acho que tudo se resume a simplesmente dar o exemplo. E é tão ruim quando você vê o mau exemplo acontecendo todos os dias.

Pela internet e conversando com as minhas amigas, leio tantos casos de maridos que apertam o f*-se e vivem as suas vidas, não acordam de madrugada – a mulher pode estar morrendo, que não ajudam. Mas o pior não é isso acontecer – é a aceitação desse fato! Não é normal.

Sei que todo mundo tem defeitos. Mas por que as mães precisam superá-los e os pais não? Não me venham com papo de instinto materno. Há bons pais por aí. Eu ODEIO comodismo e falta de respeito. Para mim, um pai não ajudar nos cuidados com o filho é um pai egoísta e desrespeitoso.

Eu prefiro continuar surtando quando vejo um comportamento absurdo desses aflorar por aqui do que permitir que ele corra solto. Porque eu não sou idiota nem irresponsável. É a vida do meu filho em jogo.

Só uma lembrança.

Ontem fui na festa de aniversário da Manu, filha da Raquel, e foi muito bacana. Eu só a conhecia pela internet desde que fiquei sabendo que estava grávida, e ela e a Ju me ajudaram demais com conselhos e aquela força. Mesmo assim, só nos conhecemos ontem, e apesar de eu ter ficado pouco tempo, foi uma delícia!

Eu, Ju e Raquel.

Viemos embora por volta das 18h30 porque o Paul já estava cansadinho. Chegamos aqui, dei banho e o coloquei para dormir. Ele acordou às 22h30, mamou e depois dormiu até às 5h30. Sempre fica mais agitado quando passa do horário mesmo de dormir. Mas tudo bem, vez ou outra vale a pena.

Hoje íamos almoçar na casa da minha sogra, mas acabou não dando certo. Meu tio fez um churrasco por aqui e foi gostoso.

 Anderson terminou o dia dos pais dando banho no Paul e colocando-o para dormir. Ainda bem.

This entry was posted in 3 meses. Bookmark the permalink.

9 Responses to 08.08.10.

  1. A grávida says:

    Meu nome é Cristina, tô grávida de 38 semanas, e desde o comecinho acompanho diversos fóruns e comunidades relacionadas na internet, inclusive seu blog, que achei numa busca pelo Google. Gosto muito da maneira como você escreve, da atenção que você dá pra cada acontecimento na vida do seu filho.Mas o comentário que quero fazer é a respeito do seu post sobre amamentação. Bem, sobre essa mulherada xiita a qual você se referiu, percebi que é a mesma que defende com unhas e dentes a amamentação exclusiva, e que fica propagando discórdia nos fóruns, julgando vias de nascimento como a cesárea, e mães que por um motivo ou outro não amamentaram no peito. Não sei a realidade que essas mulheres vivem, mas sempre achei que elas tem uma visão muito distorcida e cor-de-rosa das coisas, da vida REAL. A impressão que elas passam é se a gente não "parir a seco" (feito Maria), ou de cesárea, ou ainda tiver algum problema para amamentar somos incapazes, fracas, "menos mãe" (elas dizem detestar esse termo "menos mãe", mas a impressão que elas passam é a de que quem não segue a "doutrina" delas é "menos mãe"). Resumindo: tá difícil ser mãe desse jeito! Parece que a gente tem que provar um monte de coisa o tempo todo, provar que é "forte" (o que é ser uma mulher forte?), que pariu de cócoras, na água, com doula e sem anestesia, que amamentou exclusivo até os 6 meses e praticou amamentação prolongada até os 5 anos da criança (num exemplo exagerado, eu sei!)… Já até li um texto super preconceituoso e muito propagado entre a mulherada xiita, que diz que quem nasceu de cesárea, na realidade, "não nasceu". Pois bem, eu nasci de cesárea, e se for assim como elas falam, não sei o que tô fazendo aqui neste mundo, já que "não nasci". Muito chato e complicado tudo isso. Já desisti de tentar argumentar com essas mulheres, antes eu ainda esquentava a cabeça e tentava mostrar um meio termo, o que não existe com elas! Quanto a mim? Bem, eu prefiro sim ter um parto normal e quero muito poder amamentar minha cria, mas sem neuras, porque eu nasci de cesárea e não pude ser amamentada pela minha mãe (ela teve seus problemas), e por isso mesmo aprendi com a vida que ser MÃE (em letras garrafais) vai muito além de simplesmente parir e amamentar, muito mesmo. Um beijo e boa sorte com o seu pequeno.

  2. Clarinha says:

    Sobre o post do dia dos pais. O meu namorado é um ótimo pai, super atencioso mesmo com nosso filho. Ajuda bastante, mas isso vem crescendo com ele, porque, quando João nasceu, eu passava dias sem dormir e ele vivendo a vida normal. Mas ele foi se tocando e hoje acorda de madrugada pra trocar fraldas, dá banho, faz dormir. Ótimo, não? Agora, imagina quanta gente, especialmente mulheres, já ouvi me dizendo: "Que moleza, hein!" ou então, "Que sorte". Como se o dever de educar e cuidar fosse só meu, ou seja, só da mãe. A luta deve ser diária pq essa noção de que papel de pai não inclui cuidar dos filhos é uma péssima herança cultural enraizada nos nossos costumes. Meu pai nunca foi presente, nunca, e definitivamente nunca quis saber de dar bons exemplos. Eu não quero um pai assim pro meu filho!

  3. Camila says:

    Concordo com tudo o que vc disse nesse post! Eu estou no grupo das que escolheram um pai legal para seu filho! Meu marido ajuda em tudo! Damos banho da Olívia a 4 mãos! Ele troca fralda (aliás, no hospital só ele trocou as fraldas dela), enche banheira pro banho, ferve água, faz arrotar e só não amamenta porque não dá! hehe Mas ele é assim em tudo… acho que o comportamento do homem antes da gravidez diz tudo. Meu marido sempre ajudou em tudo em casa!Não dá pra entender a aceitação de certas mulheres em relação a comportamento machista dos maridos!

  4. Adelaide says:

    Oi Thais,Que sua vida seja sempre abençoada.Procurei no google sobre mamada dos sonhos e caí no seu blog que é espetacular: quanta dica pra mães de primeira hora. É como um mini guia.Concordo com tudo sobre este último post (dia dos pais)! O meu, nem consigo chamá-lo de pai, de tão distante que foi e é na minha vida. O que sei e tenho dele é o sangue das minhas veias e o nome dele nos meus documentos. Até hoje sofro pela ausência dele em minha vida. E eu sempre disse: não quero um pai desse tipo para os meus filhos, e graças a DEUS meu esposo é um super hiper mega pai, ajuda em tudo desde as consultas na gravidez (nosso filhinho completou deste dia dos pais 1 mês de vida).Agora, gostaria de saber com quanto tempo se começa a mamada dos sonhos e o que dizes sobre troca de fralda no meio da noite quando o bebé está dormindo?. É aconselhável acordá-lo pra trocar ou deixar e esperar ele acordar? Espero ansiosa por sua resposta.Obrigada desde jáTudo de bomBeijos

  5. Di says:

    Ai Thais, que coisa você postar esse texto hoje…. É so você ir la no blog e dar uma lida e ver por que estou falando isso.O Taz é muito bacana com a Beca, troca, da banho, da a mamadeira, comida, tudo. Mas, com exceção do banho que ficou de fato como tarefa dele ou da minha mãe por aqui, so faz essas coisas quando eu peço pra descansar oua lgo assim. Nunca é o contrario. E, que me adianta um pai bacana que faz as coisas, se cuida do bebe reclamando que esta cansado e da mãe, aff, essa nem sei como falar. Enfim. Pai não tem que cuidar so de si, mas tambem não é so do filho não. TYem que cuidar da mãe também. É uma troca entre 3 pessoas, ou mais (se forem mais filhos) essa roda, em que um cuida do outro. Se falta uma parte, a coisa desanda…

  6. Oi Thaís,É impressionante, mas pelos relatos acima temos muito mais pais ausentes que presentes… E percebo que ainda os pais presentes são vistos como exceção, e que o cuidar é sempre obrigação da mulher. Se um homem cuida, tá fazendo além do papel dele, a mulher tem sorte.* * *Deixei um selinho para ti no meu blog.Bjs

  7. Thais says:

    Di, eu vi seu blog. Pois é, é tão chato ter que pedir. Parece que é favor.Carol, vi o selinho, farei o post hoje. Brigadinha. =)Adelaide, eu dou a mamada dos sonhos dependendo do horário que ele mamou pela última vez. Se foi entre 18h e 19h, dou às 22h. Se foi depois das 19h, dou às 23h. Sobre a troca, eu só troco se fizer cocô, mas ele nunca faz. Eu coloco uma boa fralda que dure 12h (Pampers Total Confort) e ele vai até o dia seguinte, daí eu troco quando ele acorda.

  8. Thais Bessa says:

    Cara, meu pai também não foi lea essas coca-colas não, mas acho que ele fez o melhor que pôde. Mas marca mesmo a gente, e eu repito isso pro Ben 500 vezes, especialmente pra filha, o pai é o modelo de homem para bem ou mal.Mas disso não tenho do que me queixar, ele é 100% com ela, faz tudo sem precisar pedir. Não sei se é só uma coisa dele ou se é a diferença cultural tb, aqui o machismo é menos pervasivo. Eu fico feliz de nunca ter ouvi o "mas eu trabalho", pelo contrário, nas poucas vezes que eu não quis deixar ele se levantar a noite e disse isso ele falou "trabalha sim, e em algo mais importante que eu". Morri. Eu acho que os homens reproduzem o machismo, mas nós também. Acho que agradecer o cara entusiasticamente quando ele troca uma fralda perpetua isso de que ele fez um favor, e não uma obrigação. A outras coisa é achar que eles não sabem fazer. Por mais que eu me policie, isso acontece aqui, eu critico como ele faz as coisas e ele me disse que eu fico minando a auto-confiança dele como pai, que eu tenho que deixar ele cometer os erros dele, assim como eu cometo os meus (nessa hora eu quero me enfiar num buraco). Exemplo: no banho eu a lavo numa ordem certa (TOC? check) e quando vi ele dando banho fiquei brigando pra ele dar naquela ordem pra ela não "estranhar", mas ele me disse que tinha o jeito deles. Parei pra pensar e tá certo, eles que descubram o que funciona pra eles.Bjos

  9. Thais says:

    super concordo com você. tem gente que só falta dar uma medalha porque o marido trocou uma fralda. por aqui as coisas estão bem, apesar dos dias de crise. agora ele chega do trabalho, lava as mamadeiras, dá banho no paul e dá as duas mamadas que ele pega nesse período. eu gosto não só pelo tempo que me sobra, mas pelo convívio dos dois. e nem critico mais nada (eu também fazia isso). saio de perto para não ver qualquer coisa e deixo rolar.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s